Qual seria o tamanho do trabalho necessário para nosso recomeço?

Dr. Rodolfo Moraes Silva

Especialista em Clínica Médica, área de

atuação em Dor e Cuidados Paliativos

Quando nos disponibilizamos para o trabalho, buscando alternativas para sermos úteis na seara do Cristo, naturalmente nos questionamos sobre o que podemos fazer nesse sentido.

Na maioria das vezes, caímos na armadilha de grandeza e almejamos trabalhos que estão além das nossas reais capacidades. Talvez ansiosos por uma renovação rápida, ao mesmo tempo que envergonhados por nossa pequenez, tentamos e até mesmo assumimos responsabilidades que não se coadunam com aquilo que realmente carregamos ainda em nosso domínio espiritual.

É assim que, de uma hora para outra, muitas pessoas assumem diversos horários na casa espírita, realizando trabalhos variados. Não raro, assumem também atividades em outras casas ou instituições filantrópicas, atendendo a essa ansiedade por evolução.

No entanto, necessário se faz lembrarmos que o Cristo não nos pede quantidade, mas sim qualidade…

De nada adianta ocuparmos nosso tempo com diversas atividades, sem que essas sejam de fato metabolizadas no coração, ou seja, se as fizermos sem sentimento de amor e caridade para com o próximo. De nada adianta se, ao finalizarmos a semana, contabilizarmos horas e horas de serviço voluntário, mas estarmos cansados física e emocionalmente e, o que é pior, descobrirmos que, de todas essas horas, apenas uma pequena porção foi feita realmente com a qualidade e o desprendimento cristãos.

Mais vale uma única hora gasta por semana, mas realizada de todo coração e com todo o sentimento de amor ao próximo, do que dez horas feitas mecanicamente, atendendo apenas aos gritos de uma consciência que, no fundo, ainda se culpa.

Se já estamos evoluindo no sentido de autoamor e do autoperdão, naturalmente teremos mais paciência conosco. A mesma paciência, aliás, que o Criador tem para com todas as suas criaturas, respeitando com bondade o ritmo de cada uma delas. Dessa forma, saberemos exatamente nossas reais possibilidades. Dentro daquilo que tenho e posso oferecer, portanto, dedicarei um tempo pequeno, a princípio, porém colocarei nesse tempo despendido todo meu coração e meu sentimento.

Em persistindo, naturalmente estaremos construindo um novo hábito. No tempo certo, e contando com a proteção do alto, poderemos ampliar as ações, sem perder, contudo, a qualidade das mesmas, ou seja, sem deixar de praticá-las por amor.

Se você consegue despender uma hora por semana para a prática espontânea da caridade, ligada ou não a alguma instituição espírita e/ou filantrópica, ótimo. Faça. Comece, sem pressa, devagar, com paciência.

Inclusive essa prática não precisa necessariamente ser “para fora”. Nosso primeiro dever é dentro do lar. A rigor, parece incoerente querermos sair praticando o bem fora de nossa família se, dentro dela, ainda existem pendências a serem resolvidas. Claro que não falamos aqui que, para podermos fazer o bem fora, precisamos ter uma família perfeita. Não é isso. Mas que pelo menos tenhamos a tranquilidade de tentar encaminhar as coisas do lado de dentro, antes de nos lançarmos para o trabalho assistencial que almejamos.

Em resumo, como disse Madre Teresa de Calcutá: “Nunca se preocupe com números. Ajude uma pessoa de cada vez, e sempre comece pela mais próxima de você”.

 

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