Chico Xavier e Emmanuel

Texto de João Senna

Chico Xavier conheceu Emmanuel aos 21 anos. Este espírito apresentou-se sob a forma suave de uma cruz envolta em luz azul. É um símbolo do Cristianismo. Revelou o espírito que a amizade que os unia se perdia na noite dos séculos, embora, Chico não se lembrasse, a ligação entre ambos estava fundamentada nos mais santos laços da amizade e do amor. Propõe Emmanuel que deveriam realizar um trabalho de cristianização junto às almas sob o amparo e orientação do Espiritismo. E, caso Chico aceitasse tal proposta, ele deveria se submeter a três coisas: disciplina, disciplina, disciplina. Evidentemente, não faltaria caridade, esperança e humildade a Chico Xavier e, por isso, não foram pedidas.

O próprio Chico relata que Emmanuel sempre foi o pai, o irmão e o amigo dedicado e disciplinador. Recomendou a Chico que sempre seguisse as diretrizes de Kardec e caso ele, Emmanuel, abandonasse tais diretrizes, que Chico o abandonasse e ficasse com Kardec. A disciplina a que Chico Xavier se submeteu é estranha a muitas almas que como nós, passam na Terra apenas quem sabe para serem esquecidas. Presos ao livre-arbítrio que lhes parece superior à propria verdade e à justiça, não podem ver em Emmanuel senão um espírito exigente e autoritário. Eles não vislumbram, nem de forma remota, os avisos, as advertências do amigo fiel a Jesus e zeloso da felicidade do amigo sob sua orientação imediata. A questão é que as obras falam mais que as opiniões e as palavras e sabemos o que o futuro reserva para a admirável missão de Chico Xavier.

Chico foi avisado certa vez que sua missão na Terra havia terminado, mas que poderia lhe ser dado uma moratória a fim de que continuasse sua missão junto aos benfeitores da vida maior. Se aceitasse continuar o trabalho de psicografia, de consolação junto aos infelizes e sem esperança, se desejasse permanecer na obra de moralização da humanidade sob as luzes do Consolador Prometido. Se aceitasse, poderia viver muitos anos na Terra, pois, lhe seria dado uma moratória para o serviço do bem. Chico Xavier aceitou e recebeu 450 livros psicografados, dez mil cartas consoladoras, inspirou a abertura de centenas de grupos espíritas, obras assistenciais, divulgou de forma inigualável o Espiritismo. Tudo realizado, sobretudo, com o seu exemplo de fé e caridade.

Muitos confundem admiração com idolatria, aceitação racional com credulidade irrefletida e não aceitam e entendem a admiração que milhões de pessoas espíritas e, sobretudo, não espíritas tem em relação a Chico Xavier e Emmanuel. É que, não compartilhando os motivos de nossa admiração, que julgam exagerados ou inexistentes, reivindicam que escutamos e aceitemos suas palavras e exemplos de desaprovação da monumental obra mediúnica e exemplificativa da vida de Chico Xavier. Infelizmente, não lhe podemos atender às caridosas advertências, somos daqueles que se impressionam mais com os bons exemplos e ensinos que para nós estão acima das opiniões.

A produtividade em amor e luz espiritual revelada no exemplo de vida do senhor Francisco Cândido Xavier é equivalente a mil vidas de pessoas comuns e efêmeras como nós mesmos, mas o exemplo do nosso Chico permanecerá em nossas almas como cândida luz que nunca se apagará.

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